Amigos Conquistados

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Leitura de Setembro

Li muitos livros em setembro, mas apenas quero registrar “A hora da estrela” de Clarice Lispector. Um livro indicado por minha amiga Darcy, formadora do Gestar II no município de Lavras.
Pra falar a verdade eu não compreendo Clarice Lispector, mas como foi a Darcy que indicou e eu admiro muito o trabalho da Darcy tomei coragem e mandei ver. Tudo o que posso dizer sobre Macabéa é o que Clarice já disse no final da história: “Macabéa me matou”.
Depois de ter lido esse livro tenho pensado muito nas Macabéas que encontro em minha vida: queria que a grande hora delas não fosse a hora da morte. Queria que todas elas se descobrissem pessoas capazes de mudar seus destinos, capazes de domar esse animal furioso que é a vida.
Não importa de onde elas vêm. São muitas as Macabéas. E vivem como se soubessem ou como se sentissem. Não sabem e não sentem. Apenas pensam que sabem. Apenas pensam que sentem.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Unidade 21 e 22: Caderno 6

O CADERNO 6
UNIDADES 21 E 22

No dia 12 de setembro nos reunimos novamente na Escola Municipal João José dos Passos. Nosso encontro teve como objetivo estudar as unidades 21 e 22 do Caderno de Teoria e Prática 6. Para iniciar as atividades trouxe o vídeo Tamba Tajá, do solista Evandro Oliva. Uma lenda indígena do Norte do País e uma linda história de amor. Nesse vídeo o solista conta a história e ainda canta uma linda música do Maestro Waldemar Henrique.

Tamba Tajá
Waldemar Henrique

Tamba-tajá me faz feliz
Que meu amor me queira bem
Que seu amor seja só meu de mais ninguém,
Que seja meu, todinho meu, de mais ninguém...
Tamba tajá me faz feliz...
Assim o índio carregou sua macuxy
Para o roçado, para a guerra, para a morte,
Assim carregue o nosso amor a boa sorte...
Tamba-tajáTamba-tajá-a
Tamba-tajá me faz feliz
Que meu amor me queira bem
Que seu amor seja só meu de mais ninguém,
Que seja meu, todinho meu, de mais ninguém...
Tamba-tajá me faz feliz...
Que mais ninguém possa beijar o que beijei,
Que mais ninguém escute aquilo que escutei,
Nem possa olhar dentro dos olhos que olhei.
Tamba-tajáTamba-tajá-a

No dia 12 de setembro nos reunimos para iniciar a 2ª etapa do Programa Gestar II. A Escola Municipal João José dos Passos nos recebeu novamente. Iniciamos nosso encontro com uma mensagem diferente. Trouxe para as cursistas um vídeo do Solista Evandro Oliva, contando a lenda Tamba Tajá. No vídeo o Solista conta a lenda e, após, ele canta uma composição do Maestro Valdemar Henrique que conta a mesma história de amor entre um casal macuxy. A lenda é uma belíssima história de amor e de renúncia.

Após o vídeo passamos a conversar a respeito desse trabalho de valorização da cultura em sala de aula. Ainda é preciso educar nossos alunos para ouvir. Eles ainda não têm essa habilidade desenvolvida. Quando o objetivo dos professores é fazer com que eles ouçam, eles não se concentram. Algumas professoras falam de um treino para a cópia. Os alunos só conseguem copiar do quadro. E consideram que aula é isso: apenas copiar. Quando são oferecidas atividades que não incluem cópia é muito difícil para o professor conseguir realizar as atividades, principalmente com alunos do 6º ano.

As professoras relataram que as atividades propostas pelo Gestar II têm sido muito interessantes no sentido de mudar essas concepções dos estudantes. Mas que a aplicação de algumas atividades dos AAA's ainda é um pouco complicada porque em nosso município não há como reproduzir o material, o que acaba saindo caro para as cursistas já que elas têm que assumir os custos com essa distribuição.

Uma das cursistas também falou da necessidade de um planejamento detalhado para a aplicação das atividades. Mesmo com as aulas "prontas" é necessário organização por parte do professor na hora de aplicá-las.

A construção da argumentação
Passamos então a explorar as unidades 21 e 22 do caderno de teoria e prática 6. Detivemos-nos na seção 1 da unidade 21: a construção da argumentação. Trabalhamos com a ideia de todos os textos são argumentativos. Uns mais outros menos, no entanto precisamos saber identificar esses argumentos nos textos com os quais lidamos em nosso cotidiano.

"Sempre que utilizamos a linguagem, estaremos implicitamente alterando - ou querendo alterar- as crenças dos interlocutores, implicitamente querendo convencê-los de nossas ideias".
(TP6, p. 16)

Seção 2
A tese e seus argumentos

A Professora Maria Aparecida trabalhou de uma forma muito interessante esta seção na 2ª etapa de formação em Belo Horizonte. Decidi faze do mesmo jeito com as cursistas.

Como todo texto é produzido com uma finalidade comunicativa e a intenção é convencer o leitor acerca de alguma ideia. Essa ideia é a tese. Assim, voltamos nossas atenções para os recursos (argumentos) utilizados pelo autor do texto para comprovar sua tese ao organizar seu texto.
• Argumentos baseados no senso comum
• Argumentos baseados em provas concretas
• Argumentos baseados em ensinamentos morais
• Argumentação por exemplo
• Argumento de autoridade
• Argumentos por raciocínio lógico
Tese: O cuidado com a saúde física e o gerenciamento da estética corporal tem feito do corpo uma importante fonte de preocupação do século XXI.
Produzimos, a partir da tese, argumentos:
baseados no senso comum:
Você não precisa ser um triatleta para manter seu corpo jovem. Bastam 40 minutos de caminhada, três a cinco vezes por semana para queimar as gordurinhas e ficar com a saúde física e o corpo em ordem. Isso não faz bem apenas para o corpo. Também o cérebro se beneficia dessa atividade.
Então deixe de preguiça, levante meia hora mais cedo e mexa-se! Você verá um resultado rapidamente e terá mais disposição e orgulho em olhar-se no espelho, principalmente se você tomar um copo de água morna em jejum, antes de sair para caminhar.
baseados em ensinamentos morais:
As pessoas estão muito preocupadas com a beleza exterior, abusando de tratamentos estéticos para manter o corpo e esquecendo que a beleza verdadeira está no interior de cada um e que é dessa beleza interior que surge uma boa saúde.
A saúde não depende de tratamentos estéticos e sim do amor, da busca pelo conhecimento, do compromisso e da compreensão.
Saúde é viver bem. Estética é apenas complemento.
baseados em opinião de autoridade sobre o assunto:
De acordo com pesquisas recentes, realizadas por Doutor José Andrade, da Universidade Federal de Minas Gerais, descobriu-se que os brasileiros adultos consomem 400 g de açúcar por dia, em média, e que a necessidade diária de açúcar é de 200g.
Doutor José afirma em sua pesquisa que os adultos consomem o dobro da quantidade de açúcar que necessitam diariamente e por isso a obesidade e, principalmente, o desenvolvimento de diabetes tem se tornado uma epidemia pelo Brasil.
baseados em raciocínio lógico:
Uma das preocupações do século XXI é o cuidado com a saúde física e a estética corporal. Isso se deve à ditadura da beleza em que vivemos. Na Idade Média as gordinhas e pálidas eram consideradas bonitas, pois essas qualidades demonstravam que elas não trabalhavam e um tom de pele mais escuro e a magreza simbolizavam escravidão.
Hoje o ideal de beleza é uma mulher magra. Assim as mulheres vivem preocupadas com o corpo, em função das cobranças da sociedade. Essa preocupação exagerada faz com que a mulher deixe de lado sua saúde e acabe esquecendo que a beleza da vida está nas coisas simples.
Esse assunto tem dois lados totalmente opostos: Um em que a saúde é fundamental e para ter saúde é preciso cuidado com o corpo e prática de exercício físico. Outro em que a mulher paga um alto preço por isso.
A solução é se cuidar e ser feliz.

Após a apresentação de cada texto discutimos a construção e a consistência dos argumentos. A seguir passamos para a Unidade 22: Planejamento e escrita.

No caderno 6 realizamos as atividade das páginas 76, 77, 78, 79 e 80. Tais atividades proporcionaram uma reflexão acerca de uma etapa muito importante do ato de escrever: o planejamento da escrita. Conversamos muito sobre a dificuldade do aluno em produzir textos, o famoso "branco". E sobre o papel do professor no planejamento dessa escrita.
Encerramos a primeira parte do encontro para o almoço. Martinha já nos aguardava com seu carinho e uma comidinha mineira deliciosa.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Urucuia e a gincana cultural








Povo alegre, bem humorado e participativo que tem como maior bem a Escola Municipal Josefina Wanderley de Azeredo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Povoado de Urucuia: Gincana Cultural













O Povoado de Urucuia fica a 18 km do centro de Esmeraldas. Lá fica localizada a Escola Municipal Josefina Wanderley de Azeredo. Dia 1º de novembro foi realizada uma Gincana Cultural na escola e fui convidada pela Professora Ariaine, cursista do programa Gestar II, para visitar a comunidade escolar. Nossa intenção, minha e da Professora Cursista, era de que eu visitasse a escola em um dia letivo comum mas, devido às dificuldades de transporte e de incompatibilidade de horários, não seria possível.

A gincana cultural teve como tema a Educação Ambiental. Na época da formação em Belo Horizonte a Professora Cida já havia falado sobre o cuidado que todos devemos ter durante esses eventos promovidos pela escola. Nosso trabalho com a linguagem deve ser muito escrupuloso pois, as vezes, as práticas de letramento são deixadas de lado, e nos concentramos em tudo: cardápio, barulho, cor da equipe, organização da gincana e esquecemos das práticas de letramento.

A gincana cultural da Escola Municipal Josefina Wanderley de Azeredo, no entanto, proporcionou muitas práticas de letramento aos estudantes e à comunidade em geral: as apresentações contaram com textos muito bem escritos e declamados pelos alunos, a produção de cartazes, painéis, faixas, a escolha das coreografias, figurino. Tudo muito adequado ao tema da Gincana. Uma das práticas de letramento que chamou a atenção foi o conhecimento das regras por parte das equipes e a preocupação dos estudantes em segui-las, já que o não cumprimento de tais regras acarretaria em perda de pontos para as equipes.

O evento foi realizado na Praça do Povoado e contou com a presença da comunidade. O Prefeito Flávio Malta Leroy também esteve presente para prestigiar o evento e parabenizou tamanho evento em um domingo de final de semana prolongado pelo feriado de 02/11. Mariana Pereira, Coordenadora do Programa Gestar II e moradora da comunidade, também esteve presente.
A comunidade se divertiu muito com a Gincana, os pais participaram das brincadeiras e aprovaram a animação das equipes. Os moradores de Urucuia têm muito orgulho da escola e, segundo a Vereadora Ivana, que também estava presente ao evento, a escola é considerada pelos moradores do povoado como o bem mais precioso de Urucuia.
Foi um domingo muito especial. Ouvi alguns estudantes, alunos da Professora Ariaine, algumas mães que se declararam muito satisfeitas com o trabalho que se desenvolve com os estudantes na escola. Uma das mães declarou que a Professora Ariaine é muito criativa e que "quase não usa livro didático". Essa mãe, que também é professora da Escola, considera essa atitude "muito importante para o desenvolvimento dos alunos".
Todos nós que fazem parte dessa rede gigantesca que é o Gestar II devemos nos orgulhar desse evento em Urucuia. Lá nesse povoado de gente alegre, trabalhadora e muito orgulhosa de sua cultura, o Gestar fez uma parceria de sucesso através das cursistas do Programa: Ariaine (cursista de Português) e Adriana (cursista de Matemática).

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A Troca de Rosas

Ritual delicado e poético que existe no Vale do Amanhecer, hoje é dia da Troca de Rosas, Aniversário de Tia Neiva, onde as falanges do Céu vêm trazer suas bençãos à Terra. Não somente aos jaguares deste século, mas para toda a humanidade. Por isso, hoje, às vinte horas, leve a Deus um pensamento de amor, uma vibração positiva, um pedido, uma prece, uma dor, uma saudade. Falanges de amor e luz estarão na Terra inteira espalhando o amor incondicional. Banhe-se no perfume dessa Troca de Rosas.
Seja Feliz e tenha boa sorte.

terça-feira, 27 de outubro de 2009




Leitura de Agosto: O mundo de Sofia

Para o mês de agosto escolhi “O mundo de Sofia: Romance da História da Filosofia”, de Jostein GAARDER. O livro é um passeio pela história da Filosofia. Lembro que quando ele foi publicado foi uma febre. Só se falava nele. Mas nunca tive oportunidade de ler. Naquela época eu já levava uma vida itinerante. O que eu mais gostei do Mundo de Sofia, foi de reler Marx. Então compreendi porque o movimento por melhoria salarial e de condições de trabalho tem tantos professores que não se engajam e não participam. São alienados.
A leitura desse livro fez com que eu entendesse que é vital para o Professor ler mais sobre Filosofia. Durante os dias em que estive lendo o livro fiquei mais questionadora e percebi que levei essas inquietações e esses questionamentos para a sala de aula. Minhas aulas foram muito proveitosas, e os alunos perceberam algo de diferente em mim: disseram que eu estava “mais legal”.
Mas acabou a leitura e a chama apagou. Quero reacendê-la para que ela brilhe sempre.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

É Dia do Professor!

Já estou cansada de ouvir que os professores não têm nada para comemorar. Tem professor falando até do constrangimento de se declarar professor. Eu tenho orgulho de ser professora. Se eu pudesse deixar alguma coisa para meus filhos, plantaria no coração deles o desejo ardente de ser professor.
Ser professor é muito bom! É um trabalho que faz a diferença. Cada professor tem seu jeito de trabalhar, de se relacionar com os estudantes, cada um é um universo de experiências, crenças, teorias, fazeres, sabores e saberes. Isso proporciona uma convivência rica em um ambiente onde a busca pelo conhecimento é o pano de fundo para as teias de relacionamento que se cruzam nas salas de aula, na sala dos professores, nos corredores da escola.
Enquanto uns professores ficam abaladíssimos com as bombas jogadas nos carros estacionados na escola, outros se preocupam, mas nem tanto.
Enquanto uns trabalham para que os estudantes tenham acesso à variante padrão da língua, pelo menos no ambiente escolar e nos aspectos mais gerais da língua, outros dizem "para mim fazer", justificando que a exigência de um Português mais "erudito" torna o professor um pedante.
Enquanto uns lutam pelos direitos da categoria, outros furam o movimento.
Aqui pode parecer, mas não são dois lados de um conflito. Como eu já disse, são universos inteiros. E todos os posicionamentos contribuem para fazer da escola, especialmente a escola pública, isso que ela é: o lugar da diversidade.
É importante discutir a questão da violência na escola? Claro que é. Mas também é preciso valorizar as relações. É importante ensinar? Não só é importante como é o dever da escola. É pra isso que a escola existe. Mas também é importante valorizar a cultura, as variantes de prestígio naquela comunidade em que a escola está inserida. É importante lutar pelos direitos da categoria? Imprescindível. O que não é possível deixar o rancor tomar conta dos corações.
Ser professor é muito bom. Não sou uma Poliana. Sei, tenho experimentado cotidianamente experiências nada edificantes nas salas de aula por onde eu tenho trabalhado. Já dei aula em tudo quanto é lugar, mas nada se compara às dificuldades que tenho aqui em Minas Gerais.
Não são só os alunos, não. Muitos colegas professores também fazem questão de dar uma alfinetada de vez em quando. As vezes essas alfinetadas se transformam em espadas ou flechas que acertam direto no coração.Todo dia tem algum leão pra matar, como nos circos romanos. Mas quero deixar minha marca. As humilhações, as dificuldades, o preconceito, a não aceitação, a gente vai vencendo em busca de um objetivo maior.
Sem exagero nenhum: adoro meu trabalho. Já pensei em deixar a sala de aula, mas para onde eu iria? Acho que penso nisso naqueles dias sem sol. Mas logo o sol vem e eu esqueço os dias de frio. Tenho horror ao frio.
Concordo plenamente que o professor do serviço público ganha mal. Especialmente o funcionário da esfera municipal e estadual. Minas Gerais é tão ruim quanto o Pará, nesse aspecto. Mas na Educação não há mais espaço para o amadorismo. É preciso ter formação. Estar preparado. Buscar. É preciso ser profissional cada vez mais.
Se tem muita coisa ruim: salário baixo, violência na escola, falta de respeito e de valorização, tem a vontade de fazer a diferença. tem a vontade de romper as barreiras da indiferença e do preconceito. E esse ano eu até ganhei um presente do MEC: o GESTAR II. Imagina se eu fosse pagar um curso desse porte. Como esse programa mudou a minha vida, agora eu não paro mais.
Estou muito feliz porque hoje é o meu dia. Sou muito feliz porque sou professora. Faço a minha parte. Faço o que eu gosto. Costumo dizer que eu nasci pra fazer isso. Parabéns a todos os professores e a todas as professoras do Brasil!

domingo, 11 de outubro de 2009

"Porque eu quero ter amor bem mais ainda"

A agência Mendes Publicidade foi a responsável pela produção do cartaz que ilustra a Festa da Rainha da Amazônia deste ano. O fotógrafo escolhido pela Diretoria da Festa para fazer a foto da imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré foi Miguel Chikaoka. Miguel, que possui mais de trinta anos de carreira, no ano passado, apresentou a exposição "Cenas da Fé", composta de 20 fotografias cujo tema era o Círio. O cartaz é considerado um dos símbolos do Círio. O primeiro foi produzido em 1882, e até hoje essa tradição permanece. Os fiéis têm o costume de fixar o Cartaz nas fachadas dos prédios, portas das casas, hospitais, para prestar homenagem e também pedir bênçãos à Padroeira dos Paraenses. Os antigos cartazes podem ser conferidos no site oficial do Círio: www.basilicasantuariodenazare.com.br.

Nos meus tempos de católica praticante nunca dei valor ao Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Fui entender o que essa procissão descomunal significava pra mim quando deixei minha casa para morar na casa dos outros.

Entendi o valor da comida especial no 2º domingo de outubro: alimento que dá tanto trabalho para ser preparado e que só nesse dia pode ser saboreado na companhia dos amigos e da família que se junta para lembrar os ausentes e comemorar os que chegam a correr pela casa ou a depender do colo e dos cuidados de quem estiver disposto e paciente. Dia também de reverenciar os mais velhos por sua sabedoria e experiência acumulada ao longo de suas vidas.

Nunca fui à uma procissão. Não tive coragem de enfrentar o calor, o tumulto e a multidão. Falta de fé, talvez. Nunca fui muito de acreditar. Mas diversas vezes a Mãe de Jesus e padroeira da família veio ao meu encontro. A Mãe da Amazônia já foi me procurar nas águas da baía, nas estradas, na praça da matriz, bem no meio de meu caminhar desavisado em terra ou em água.


Por eu ser assim tão descrente sempre admirei a fé dos outros. Os romeiros que vêm a pé de Castanhal, os que vêm de bicicleta, os que pagam suas promessas com tijolos na cabeça, aqueles que trazem velas de todos os formatos e tamanhos para colocar no "Carro dos Milagres", os anjos de branco, de azul, de cor de rosa que alçam seus vôos nos ombros de seus pais e são mensageiros da esperança. Os que caminham de joelhos, os que levam suas cruzes. São tantos os promesseiros para anunciar a fé que eu não tenho.

Muitos distribuem água, outros andam de joelhos, outros rezam, cantam e eu choro. Choro de saudades de casa. E penso em tudo o que a Senhora da Berlinda, que vai ao encontro de seus filhos por onde eles estiverem, representa para o povo tão sofrido e tão abandonado por seus governantes. Alguém deveria fazer uma promessa pra que esses mesmos governantes tivessem um pouco de descência e parassem de roubar o dinheiro público.

Eu não tenho fé para isso. Sei que o meu caminho é sem volta. Se, ou quando, um dia eu voltar a ver a Senhora de Nazaré de perto, será com olhos de turista. Mesmo assim sei, ainda que sem fé, que essa que avança como a aurora, continuará a me abençoar e a confortar meu coração tão dolorido por essa vida afora.

Tenho um amigo (sonhei com ele hoje. Deve ser saudade) que fala que tudo na vida da gente é a gente que escolhe. Nunca concordei com ele. Não escolheria jamais viver longe da Baía do Guajará. Se eu pudesse escolher, estaria hoje sob a regência das águas. Não é ingratidão com a terra que me acolheu, as montanhas que me abrigam. Mas a gente é o que é.
Que a Mãe de Jesus possa ser hoje a mãe de cada um: dos que acreditam fervorosamente e de mãos postas pedem sua benção, e dos que não acreditam. São todos filhos, uns mais fáceis outros mais pirracentos. E que de Belém venha a luz do Círio para emanar todas as famílias com esperança e todos os valores que precisamos resgatar em cada lar: respeito, tolerância, humildade e amor.

domingo, 4 de outubro de 2009

Leitura de Julho

O livro Terra Vermelha, de Domingos Pellegrini, caiu do céu. Muito lindo, o livro conta a vida de Tiana e José em meio à colonização do norte do Paraná e a fundação de Londrina. O café, as conquistas, as lutas. A passeata das Putas. Eu pude pensar muito em mim e na minha situação de migrante nas terras de Minas. O livro nem foi lido, foi devorado. Uma leitura muito fácil, muito rápida e quando a gente vê, já acabou.
A história conta dos amigos, da vida, das dificuldades e fala do sentido que a vida tem, na busca pela realização pessoal, fala de sucessos e de fracasssos. Fala de migrantes e imigrantes, culturas que se juntaram para realizar um sonho: Londrina. O livro ainda me fez pensar nas aulas de Geografia. Lembro de ter ouvido falar do solo de terra roxa, excelente para o plantio do café. Nunca suspeitei que a terra era mesmo vermelha. Tem coisas que a gente não aprende mesmo na escola...
" Como vou? Vivendo
a poesia de cada dia
com sol ou chovendo"
do caderno de poesias de Tiana