Amigos Conquistados

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Chagall e Rodin na Casa Fiat de Cultura

Aproveitando a oportunidade de estar em Belo Horizonte para o Gestar II, eu, minha amiga Cidda, formadora de Caetanópolis, e minha filha Victória Carolina, visitamos as exposições. Chegar e sair da Casa Fiat é um pouco complicado para quem não conhece o caminho. Não é a mesma coisa de ir até à Praça Sete, lógico.


Desde o primeiro dia que a exposição de Rodin chegou à BH eu prometera para Vi que a levaria para ver. De Chagall eu nunca ouvira falar (espero sinceramente que perdoem minha ignorância). A Professora Cida (outra Cida. Aquela que veio de Brasília para trabalhar a 2ª etapa de formação do Gestar II. Da UNB) passou a semana inteira falando nesse Chagall. Qualquer coisinha falava no Chagall. Acabei querendo saber.


Saímos daquele espetáculo que é a Praça da Liberdade às seis e meia, na van. Estávamos apreensivas. Não sabíamos o caminho, nem como fazer pra voltar pra casa. Mesmo assim estávamos emocionadas. Ao desembarcar da van uma força nos puxou para a exposição das obras de Chagall. Tivemos muita sorte porque fomos recebidas pelo Milton Lira (htpp://miltonlira.multiply.com), que nos apresentou aquele mundo alegre, colorido e maravilhoso, que são as obras de Chagall.


É tudo muito especial. Claro que antes de irmos embora demos uma passadinha lá no Rodin, mas não foi mais a mesma coisa. Eu não parava mais de pensar nas obras do pintor russo que eu pensava que era francês. Estou até pensando em mudar meu nome para Silvia Chagall.


Se você tiver uma oportunidade de visitar as exposições, vá lá. Mas vá com tempo. Ficamos lá duas horas e deu pra ver a metade. Se você não tiver oportunidade de ir até lá, recomendo que se dê essa oportunidade de presente. Você vai sair de lá flutuando de felicidade. Vivi tem 12 anos e adorou Chagall. Então recomendo que leve seu filho, seu sobrinho, seu afilhado. Caso sua prefeitura esteja disposta, recomendo também que leve seus alunos. Os meninos e as meninas.
Para saber mais:
31 3289-8911
Casa Fiat de Cultura
Rua Jornalista Djalma de Andrade, 1250
Belvedere. Nova Lima, MG.

JORNADA MINEIRA DO PATRIMÔNIO CULTURAL


4º Festival de Cultura de Esmeraldas integra Jornada Mineira do Patrimônio Cultural
Em defesa das tradições da cultura local de Esmeraldas, o Departamento de Cultura da cidade realiza durante o mês de setembro o 4º Festival de Cultura de Esmeraldas, evento que integra a Jornada Mineira do Patrimônio Cultural, que é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura com o apoio dos municípios e de diversas instituições educacionais e culturais de Minas Gerais.

As ações começam no dia 04 de setembro, com o Manifesto em Pró da Preservação do Patrimônio, no casarão Santo Antônio, na Fazenda Santo Antônio – Estrada de Urucuia, a partir das 20h. Haverá apresentações de sarau, teatro, Grupo Rapacuia e de Alberan Moraes.

Concomitante ao evento acontecerá também oficinas culturais de Percussão, Restauração e Teoria do Patrimônio Cultural, Circo e Estandartes e Alegorias.

Confira a programação completa e mais informações sobre o 4º Festival de Cultura de Esmeraldas no blog da no
blog da Representação Regional do Ministério da Cultura em Minas Gerais.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O encontro em Belo Horizonte

Quinta-feira, 27 de agosto de 2009.
São muitas as orientações da Professora Cida. Os portifólios das colegas ficaram muito legais. Com as experiências delas vai ser possível melhorar muitas coisas no trabalho com o Gestar aqui em Esmeraldas. Além disso estão na pauta as oficinas, as sugestões de trabalho e de discussões com o caderno 6. Os cadernos 1 e 2 ainda não foram abordados, exceto ontem com a exibição do filme e a discussão sobre o filme, na verdade um documentário sobre o Português falado no Planeta. As palavras de Saramago: "Não existe um Português. O que existem são vidas em Português" são muito especiais pra mim.
Alguns programas já abordaram esse tema. Principalmente o Fantástico, quando o Zeca Camargo viajou pelo mundo mostrando o quadro "Aqui se fala Português". A Mangueira também já fez um enredo muito interessante sobre os países que falam nossa língua. Mas o documentário foi muito interessante. A dinâmica dele faz com que se pense na dimensão, na proporção gigantesca desse Português, dessa língua rica e maravilhosa.
É importante trabalhar com os professores, não somente os de Língua Materna, mas com todos eles, a temática que o filme aborda. Não somo donos da língua. Somo usuários dela, como bem disse, no documentário, o escritor João Ubaldo Ribeiro. Assim podemos usar a língua com liberdade para criar imagens poéticas para expressar o que sentimos, como o jovem Dinho que chegou à conclusão de que "plantou uma árvore sem ter água pra regar", referindo-se ao filho que sua namorada espera.
Lendo as coisas que acabei de escrever pensei também nas atividades das primeiras unidades do caderno 6. Vimos os tipos de argumentos que podemos usar para construir o texto. E antes, na terça-feira, a turma foi protagonista de um sarau literário. Poemas diversos fizeram a emoção do momento torná-lo inesquecível. Poemas de famosos e não tão famosos arrancaram aplausos da platéia.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Mais uma vez em BH

Hoje recomeçou a jornada do Gestar II em Belo Horizonte. A grande surpresa da etapa ficou com as turmas do Polo de Montes Claros que vieram G'ESTAR aqui. Que sejam bem vindos! A Professora Catia também não veio. Quem veio foi a professora Cida em seu lugar. Teremos uma longa jornada pela frente para estudarmos os cadernos de teoria e prática 6, 1 e 2.


Hoje o dia foi longo. Estávamos todos fervendo de novidades para contar. Muitos portifólios foram mostrados e a generosidade dos colegas que fazem o Gestar acontecer em cada cidade foi visível e emocionante. Muitas ideias novas que mostram caminhos e legitimam outros que começam a ser percorridos agora.


Trabalhamos mesmo com a avaliação dos diversos prismas do Gestar II. A Professora Cida trouxe diversos tópicos para serem avaliados pelo grupo.


Oficina de Avaliação

1. Avaliação do trabalho pedagógico

produção dos cursistas

produção dos alunos do ensino fundamental

participação dos cursistas nas oficinas

elaboração dos projetos

organização das oficinas por parte do formador


2. Avaliação sistemática do programa

aplicabilidade das tarefas dos TP's

aplicabilidade das tarefas dos AAA's

organização dos tempos de formação (horas diretas e indiretas)

relação entre os parceiros

avaliação dos portifólios


Nosso grupo encontrou maior dificuldade na elaboração dos projetos interdisciplinares. Ficamos aliviadas quando a Professora Cida nos orientou detalhadamente, simplificando ao máximo a estrutura do projeto, que será construído como um "projeto de intervenção". A professora Cida apresentou o que ela chamou de tríade do projeto:


Introdução

1. Contexto

2. Problema

3. Objetivos


Estratégias de Intervenção


Conclusão: Apresentar os resultados das intervenções em cima do referencial teórico.


A Professora Cida foi muito paciente. Explicou tudo com muita propriedade e eu consegui entender como ajudar minhas cursistas a implementar os projetos e relatá-los. Durante a discussão surgiram até sugestões de temas para a construção do projeto.
Encerramos o encontro. Mas amanhã tem a pedreira do caderno 6.

sábado, 22 de agosto de 2009

O SEXTO ENCONTRO: mudanças significativas na dinâmica dos encontros.


Passou o recesso. Durante os 15 dias que fiquei em casa me dediquei inteiramente ao GESTAR II. Em casa, do computador para os cadernos do Gestar e dos cadernos do Gestar para o mundo dos blogs do Gestar II, comecei a vislumbrar outras possibilidades na construção do Programa, em Esmeraldas. A notícia mais esperada do primeiro semestre chegou no dia 13 de julho: os kits chegaram à Secretaria de Educação. Uma conquista e tanto. Decidi por em dia o blog, com as postagens sobre as oficinas e as leituras. Telefonei para as cursistas e informei a elas sobre a chegada do material e solicitei que fossem buscá-lo. À aquelas que moram em outras cidades, a coordenadora pedagógica enviou alguns kits para mim, para que eu pudesse distribuí-los. Dois professores que faziam o Gestar II na região onde moro e trabalho desistiram do curso e não quiseram nem mesmo receber o material. Eles alegaram motivos pessoais para a desistência. Outra professora, após receber o material, também desistiu da formação por motivos do agravamento de seu estado de saúde. Já que desde o início do curso ela apresentava problemas de saúde, inclusive tendo até solicitado licença médica para tratamento.

Outros ainda, apesar de terem solicitado inscrição e até de terem participado de dois ou três encontros acabaram por desistir por incompatibilidade no horário, falta de interesse pelo curso de Português, já que se consideram professores de Língua Inglesa, mesmo com turmas de Português na rede de Esmeraldas. Outros desistiram também por passarem por momentos muito conturbados em suas vidas pessoais.

Ficaram então, as Professoras-Cursistas Ariaine, Maria Nolfira, Andréia, Carla e Rosely. São meu tesouro e merecem todo meu respeito, meu carinho e minha dedicação. Após me certificar que todas já possuíam o material, passei a ligar para elas e marcar nosso encontro. A primeira decisão foi a de não promover mais encontros de seis horas e sem garantir condições mínimas de atendimento.

Solicitei, então, à nossa coordenadora pedagógica uma autorização para que nos reuníssemos na Escola Municipal João José dos Passos, no bairro Recreio. A escola foi recentemente inaugurada e é a escola mais ampla, espaçosa e bonita do município. Providenciei, através da boa vontade da Diretora da escola e de uma das auxiliares de serviços gerais e de doações particulares, um lanche e um almoço para nós. Assim poderíamos cumprir uma carga horária maior e terminar as últimas unidades do caderno 4 para iniciar as discussões do caderno 5.

Tudo organizado, inclusive o cardápio, combinei com as meninas um encontro de 8 da manhã até as 17 horas, no dia oito de agosto de 2009. Todas concordaram. Na hora marcada estávamos todas lá. A Ariaine e a Andréia acharam a escola muito longe, mas ficaram encantadas com a estrutura. A Rosely falou que gostaria muito de trabalhar lá. Apresentei-lhes a sala dos professores enquanto passava a organizar o espaço do encontro, que não estava pronto porque, na última hora a prefeitura ordenou que a escola ficasse fechada até dia 11 de agosto, por causa de uma suspeita (que não foi confirmada posteriormente) de um surto de gripe influenza A (H1N1) no bairro onde se localiza a escola.

As 8:20 min. já estávamos organizadas e demos início ao nosso encontro. No primeiro momento, que foi acompanhado com muito carinho pela Diretora da escola, fizemos uma oração para começar bem o dia. Em seguida fizemos a leitura compartilhada do texto “Educação: O que é mais importante?” de Rubem Alves. Durante esse breve momento de reflexão tivemos a oportunidade de expressar nossos pensamentos, suscitados pelo texto, a respeito do papel da escola e do professor na formação de pessoas comprometidas, criativas, perspicazes e capazes de tomar o rumo de suas próprias vidas.

Em seguida, retomamos nossas discussões a respeito da importância da escrita, do papel do professor de ensinar o aluno a escrever, discutindo alguns mitos a respeito do desenvolvimento das habilidades do aluno que escreve: a questão do dom, o conhecimento prévio para ajudar na interpretação e na produção textual.


Para pensarmos mais um pouco sobre o processo de escrita dos textos trouxe a frase de Rubem Alves: “Não tenho a menor ideia de onde aprendi a ser escritor, mas posso garantir que não foi na escola”.

Então, passamos a conversar a respeito do texto e das campanhas publicitárias “Quem lê viaja”. Uma das conseqüências da febre de um sócio construtuvismo mal pesquisado e mal aplicado. Como se o ato de aprender não necessitasse de um esforço do indivíduo aprendente. Como se o ato de construir o conhecimento se desse em ritmo de festa constante, “o prazer do aprender”. Como o próprio caderno 4, na unidade tratada (p. 115), enfatiza: “ler e escrever são experiências conquistadas pelo trabalho, que pode sim ser compensador e tornar-se prazer, alegria, viagem, como querem os anúncios sedutores”.

Detivemo-nos com mais cuidado na seção 1 porque no mês de junho a Prefeitura ofereceu, para alguns professores da rede, uma oportunidade única ao convidá-los para participar, em Belo Horizonte, da palestra do professor Vasco Moreto, sobre avaliação. Naquela ocasião foi muito interessante o que o Professor Vasco explicou a respeito das questões morais e éticas que devem permear o processo de avaliação aplicado nas escolas. E discutimos alguns minutos sobre a forma das perguntas que aplicamos. Por que perguntamos e como deveríamos fazer para melhorar a qualidade de nossas perguntas.

Falamos das perguntas:
Objetivas
De contexto
Infratexto
Intertexto

Assim, partimos para a leitura do texto da página 136, “A expansão da pobreza nas cidades”. Quando terminamos a leitura do texto, pedi a cada cursista que escrevesse uma pergunta de acordo com os critérios estabelecidos anteriormente. Elas encontraram muita dificuldade em organizar as perguntas, exceto a Professora Ariaine, que “ficou” com a pergunta objetiva e concluiu logo sua tarefa, com sucesso. A Professora Andréia formulou uma pergunta, mas precisou retomá-la. Conversamos e ficou esclarecido que as perguntas de contexto precisam ser contextualizadas e o assunto perguntado deve ser retomado na pergunta. Assim ela também produziu sua pergunta contextualizada.

Oficina de perguntas: Texto “A expansão da pobreza nas cidades.”
Pergunta objetiva
“Por que, no Rio de Janeiro, a pobreza da população era logo identificada pela cor da pele dos escravos?”

Pergunta de contexto
"De acordo com o texto o impacto das populações pobres nos grandes centros urbanos foi muito grande, criando um “inchaço”, um número crescente de pessoas vivendo em espaços desorganizados e pequenos, implicando, obviamente, péssimas condições de vida para boa parte delas. Como você analisa que a população já existente nesses locais recebeuesse aumento de moradores?"

A Professora Rosely é a perfeccionista da turma. Está sempre preocupada com a excelência. Isso gera sempre muita expectativa. Ela ficou ansiosa demais então foi preciso dar um tempo para o café. Já eram 10 horas e todas estávamos com fome. Assim decidimos voltar logo porque ainda teríamos uma longa jornada pela frente.

A Professora Carla também teve dificuldades com a pergunta. Falou que precisava de mais tempo para pensar e pesquisar. No final ela mandou a pergunta intertexto:

“O texto cita as cidades e a cultura urbana na 1ª república, nesta época o exôdo rural superlotou os centros urbanos causando vários problemas sociais. Esses problemas eram considerados "questões de política. Uma regra comum utilizada pelas indústrias era os baixos salários e a super-exploração do trabalho. Mas no dia 1º de maio de 1943 isso teve fim. O então presidente da época, Gétulio Vargas,sancionou uma lei que unificou toda a legislação trabalhista existente no Brasil.
Esta lei foi chamada de:
a- CLT
b- AJURIS
c- AUREA
d- ADIM

Aconteceu, durante a formação em Belo Horizonte, que a oficina de perguntas realizadas entre os formadores do Gestar II, deveria ter sido postada no blog, mas não foi. Então eu não tinha elementos muito concretos para me basear em dar parecer favorável ou desfavorável ao modo como elaboramos as perguntas. Conversamos sobre as perguntas e o modo como as fizemos e porque fizemos assim. E combinamos que eu, durante a próxima etapa de formação, conversaria com a professora Cátia, elaboraria a lista com as perguntas do modo como foram feitas e, caso a Professora sugerisse mudanças, eu as anotaria para discutirmos depois da semana de formação em Belo Horizonte (de 24 a 28 de agosto).

Havia ainda muito o que explorar no caderno, mas o tempo desapareceu e precisamos continuar a oficina. Passamos então para o planejamento da atividade da oficina: o plano de aula a partir da imagem apresentada no caderno 4, à página 220. Organizamo-nos em duas duplas e nos pusemos a trabalhar. Ao meio dia percebi que elas estavam organizando ainda seus pensamentos e começando nas primeiras tentativas de escrever seus planos de aula no papel pardo. Então ficamos mais meia hora para dar tempo de elas terminarem.

As duas equipes apresentaram sua produção. Foi um momento muito especial porque elas fizeram com muita emoção a apresentação do trabalho. Falando sempre das dificuldades dos alunos em sonhar. A professora Rosely declarou que estimula muito seus alunos a cultivarem sonhos a respeito de suas vidas pessoais e suas realizações profissionais.

As Professoras Ariaine e Andréia demonstraram uma preocupação muito grande com as oportunidades oferecidas aos estudantes, já que elas trabalham em escolas da Zona Rural de Esmeraldas e lá os jovens tendem a seguir a profissão dos pais.

Após as apresentações colocamos os cartazes com os planos de aula elaborados por elas no mural, encerramos a primeira etapa dos trabalhos e fomos almoçar. Martinha caprichou no almoço e almoçamos todas juntas. Partilhamos momentos muito agradáveis ainda com a presença da Diretora da Escola em nosso grupo.

Então nos preparamos para mais uma jornada ...

Por melhores salários porque a gente não quer só comida...


Assembleia dos servidores da Educação, em Esmeraldas. Dia 04/07

Os profissionais da Educação de Esmeraldas estão em campanha salarial desde janeiro de 2009. No dia 04/07 houve a Assembleia de filiação ao Sindiute. Os profissionais organizaram uma comissão de negociação com o prefeito da Cidade, Senhor Flávio. Há também uma comissão paritária que revê o PCCV, já que a categoria dos professores não recebe as gratificações legais. A categoria reivindica também um novo concurso público, já que há muitos profissionais contratados atuando nos quadros do magistério municipal.

A comissão vem promovendo, junto aos profissionais, assembleias sistemáticas para garantir a democracia e a agenda de eventos do movimento. O movimento vem ganhando força entre os funcionários da educação, ainda assim, há muitos que não aderiram ao movimento. Não participam das assembleias nem das paralisações da categoria. Esses são considerados os bonzinhos da cidade. Os bonzinhos estão nas escolas e nas salas de aula no dia das assembleias. Já fizeram seus calendários de reposições e até já vão começar a pagar os dias que pararam, mesmo ainda não tendo uma resposta positiva da administração municipal. Os maus professores são aqueles que estão na luta por seus direitos. Mas quando todos conseguirem que os direitos sejam reconhecidos, os bonzinhos, que não lutaram, não participaram, não se organizaram e até boicotaram o movimento, vão receber o mesmo salário e o mesmo benefício conquistados pelos outros que lutaram.

Há que se ver muitos lados dessa questão. E todos eles têm a ver com a ética, com a cidadania, com o respeito por si e pelo outro. O ofício de educador, professor, profissional da educação, prevê compromisso. Compromisso com a luta por uma sociedade igualitária. Amor também. As jornadas dos professores estão cada vez maiores. São duas, três escolas. Alguns professores moram dentro de seus carros. Onde está o amor? Agora as discussõe se voltam para o golpe do piso salarial: jornadas de 40 horas, jornadas de até 40 horas.

E o compromisso com a sociedade? O compromisso com o aluno das escolas públicas? Como o professor poderia dar o melhor de si se cumpre várias jornadas de trabalho durante o dia? E como sustentar a si e à sua família cumprindo apenas uma jornada, ganhando 660 reais e gastando 200 reais, ou até mais, com transporte?

Mesmo assim o professor é um forte. Um lutador. Como na música: "O dia te exige o suor e o braço, pra usina do dono, do teu cansaço". É preciso não se deixar levar pelos discursos daqueles que estão no poder e ter clareza da justiça da luta. Não se deixar oprimir. É preciso dar testemunho de coragem, de fé na vida. É preciso estar em paz consigo mesmo e pensar sempre que o melhor que poderia ter sido feito foi feito.

As coisas já melhoraram muito. Já houve professor por aí pelo país afora que já teve como salário o que equivaleria hoje, a trinta reais. Os muito jovens não imaginam isso. Mas aqueles que já estão nas estradas há mais tempo sabem. Nem por isso a luta deve ser encerrada. É preciso e urgente garantir o respeito ao professor, como se deve respeitar todo e qualquer trabalhador no país. Muito ainda se tem para caminhar.

Pense se você quer mesmo ser um professor
bonzinho...

IV Festival de Cultura de Esmeraldas

O Casarão Santo Antônio abrigou personagens ilustres da história de Esmeraldas e do Brasil. A construção antiga é um patrimônio histórico e cultural da cidade que precisa ser cuidado. Sou uma pessoa que dá muito valor a essas coisas de cultura e, desde a primeira vez que vi o casarão, eu me apaixonei por ele. Tenho muito orgulho de morar em uma cidade que tem uma construção dessas.
Participe desse evento.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sobre gaiolas e asas

Esmeraldas, 27de junho de 2009
GESTAR II. Formadora: Silvia Amaral de Souza

Gaiolas e asas
Rubem Alves

Os pensamentos me chegam de forma inesperada, sob a forma de aforismos. Fico feliz porque sei que Lichtenberg, William Blake e Nietzsche frequentemente eram também atacados por eles. Digo “atacados“ porque eles surgem repentinamente, sem preparo, com a força de um raio. Aforismos são visões: fazem ver, sem explicar.
Pois ontem, de repente, esse aforismo me atacou: “Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas".

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.Esse simples aforismo nasceu de um sofrimento: sofri conversando com professoras de segundo grau, em escolas de periferia. O que elas contam são relatos de horror e medo. Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças... E elas, timidamente, pedindo silêncio, tentando fazer as coisas que a burocracia determina que sejam feitas, dar o programa, fazer avaliações... Ouvindo os seus relatos vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à mostra - e há domadoras com seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres... Sentir alegria ao sair da casa para ir para escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O seu sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que as fecha junto com os tigres.

Nos tempos da minha infância eu tinha um prazer cruel: pegar passarinhos. Fazia minhas próprias arapucas, punha fubá dentro e ficava escondido, esperando... O pobre passarinho vinha, atraído pelo fubá. Ia comendo, entrava na arapuca, pisava no poleiro – e era uma vez um passarinho voante. Cuidadosamente eu enfiava a mão na arapuca, pegava o passarinho e o colocava dentro de uma gaiola. O pássaro se lançava furiosamente contra os arames, batia as asas, crispava as garras, enfiava o bico entre nos vãos, na inútil tentativa de ganhar de novo o espaço, ficava ensanguetado... Sempre me lembro com tristeza da minha crueldade infantil.
Violento, o pássaro que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende? Violentos, os adolescentes de periferia? Ou serão as escolas que são violentas? As escolas serão gaiolas?

Me falarão sobre a necessidade das escolas dizendo que os adolescentes de periferia precisam ser educados para melhorarem de vida. De acordo. É preciso que os adolescentes, é preciso que todos tenham uma boa educação. Uma boa educação abre os caminhos de uma vida melhor.
Mas, eu pergunto: Nossas escolas estão dando uma boa educação? O que é uma boa educação? O que os burocratas pressupõe sem pensar é que os alunos ganham uma boa educação se aprendem os conteúdos dos programas oficiais. E para se testar a qualidade da educação se criam mecanismos, provas, avaliações, acrescidos dos novos exames elaborados pelo Ministério da Educação.

Mas será mesmo? Será que a aprendizagem dos programas oficiais se identifica com o ideal de uma boa educação? Você sabe o que é "dígrafo"? E os usos da partícula "se"? E o nome das enzimas que entram na digestão? E o sujeito da frase "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante"? Qual a utilidade da palavra "mesóclise"? Pobres professoras, também engaioladas... São obrigadas a ensinar o que os programas mandam, sabendo que é inútil. Isso é hábito velho das escolas. Bruno Bettelheim relata sua experiência com as escolas: "fui forçado (!) a estudar o que os professores haviam decidido que eu deveria aprender – e aprender à sua maneira..." O sujeito da educação é o corpo porque é nele que está a vida. É o corpo que quer aprender para poder viver. É ele que dá as ordens.
A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. Nietzsche dizia que ela, a inteligência, era "ferramenta" e "brinquedo" do corpo. Nisso se resume o programa educacional do corpo: aprender "ferramentas", aprender "brinquedos".

"Ferramentas" são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia a dia. “Brinquedos“ são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma. No momento em que escrevo estou ouvindo o coral da 9ª sinfonia. Não é ferramenta. Não serve para nada. Mas enche a minha alma de felicidade. Nessas duas palavras, ferramentas e brinquedos, está o resumo educação.

Ferramentas e brinquedos não são gaiolas. São asas. Ferramentas me permitem voar pelos caminhos do mundo. Brinquedos me permitem voar pelos caminhos da alma. Quem está aprendendo ferramentas e brinquedos está aprendendo liberdade, não fica violento. Fica alegre, vendo as asas crescer... Assim todo professor, ao ensinar, teria que perguntar: "Isso que vou ensinar, é ferramenta? É brinquedo?" Se não for é melhor deixar de lado.

As estatísticas oficiais anunciam o aumento das escolas e o aumento dos alunos matriculados. Esses dados não me dizem nada. Não me dizem se são gaiolas ou asas. Mas eu sei que há professores que amam o vôo dos seus alunos. Há esperança... (Folha de S. Paulo, Tendências e debates, 05/12/2001.)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O QUINTO ENCONTRO: novos passos

Eu já estava há muitos dias sofrendo por não ter certeza do caminho que estava trilhando. Eu sabia que poderia fazer um trabalho muito melhor do que aquele. Apesar de eu estar me esforçando muito sentia que ainda estava em falta com minhas meninas. Então comecei a “fuçar no blog dos outros”. Nesse momento da jornada gestaleira (ô Biá!) encontrei a Professora Cida, formadora de Caetanópolis, que me abiu o mundo dos blogs do Gestar. E a cada blog que eu abria eu ia descobrindo um mundo de possibilidades.

A essas alturas já havia criado o meu blog (tal fato se deu em maio após tanto tentar postar publicações no Trem Bão e não conseguir e ter publicado uns comentariozinhos muito mixurucas lá). Encontrei no blog Amor e Letras, da Formadora Lucia Raquel Ortiz, do município de Correia Pinto, em Santa Catarina, o texto “Gaiolas e asas”, de Ruben Alves. Eu não o conhecia. Avaliei o texto como indispensável para os nossos encontros e, no encontro do dia 26, as cursistas leram o texto como mensagem inicial para o nosso trabalho. Mas só lemos. Não houve comentários. Avalio que havia um clima desanimador no encontro, principalmente porque não havia material para que as cursistas pudessem estudar. Esse problema já estava insustentável. Mesmo que eu produzisse os slides, trouxesse cópias de outros textos, e procurasse dinamizar os encontros estava lá sempre o fantasma da falta dos livros a atrapalhar o andamento das coisas.

Conversamos muito sobre a unidade 14 do caderno de teoria e prática 4. Produzi slides sobre a seção 1, 2 e 3. Comecei expondo os slides “Leitura, escrita e cultura: A relação entre cultura, os usos sociais da escrita e sua importância para o ensino". Uma frase que serviu de base para nossas discussões foi: "Se uma criança sabe ler, mas não é capaz de ler um livro, uma revista, um jornal, se sabe escrever palavras e frases, mas não é capaz de escrever uma carta, é alfabetizada, mas não é letrada". A frase, de Ângela Kleiman, copiada do blog da Luiza, é conhecida, mas como ponto de partida foi muito bem acolhida para falar mais um pouco sobre as diferenças entre alfabetização, escolarização e letramento.

Optei por não realizar a oficina proposta no Caderno porque as professoras, estando sem material de estudo não puderam se preparar para o encontro. Mediante essa dificuldade decidi por aplicar a atividade de uso contextualizado da escrita através da “dinâmica da casa” porque seria fácil para elas entenderem e, quando elas sentirem-se preparadas, poderão aplicar essa atividade em suas salas de aula.

Encerramos o encontro às quinze horas com a apresentação da atividade de transposição textual. Houve um clima muito especial porque as cursistas produziram textos com o objetivo de comprar uma casa, vender uma casa e tombar a casa. A professora que ficou com a responsabilidade de escrever o texto sobre o tombamento da casa demonstrou grande emoção ao realizar a atividade porque, segundo ela, há um casarão em Esmeraldas que já pertenceu à família e passa por esse processo de tombamento. Quanto a proposta de compra e venda da casa, quando a Professora-cursista terminou de apresentar a proposta de compra da casa, a professora que queria vender a casa começou a rir. E não acabava mais. Ela explicou que as duas podiam fazer negócio porque a casa que ela queria comprar era exatamente a casa que a outra queria vender. No final não foi possível fazer negócio porque o IPHAN expediu parecer favorável ao tombamento da casa.

Marcamos de nos encontrar no dia 4 de julho em Esmeraldas. Esse encontro seria um atendimento pedagógico. Até levei para cada uma delas algumas cópias a respeito da construção do portafólio. Mas não foi possível que sentássemos e discutíssemos o material. Então eu apenas distribuí o material e não considerei o momento como atendimento pedagógico. Despedimo-nos e marcamos o próximo encontro para discutir as duas últimas unidades do Caderno 4 e as duas primeiras do caderno 5. Mas só depois do recesso.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Mais músicas gestaneiras

Para a segunda etapa do Gestar (cadernos 1, 2 e 6) quase não há músicas. Há três ou quatro do eterno Chico Buarque e mais uma do caderno 5 (trem de ferro) que não inclui no primeiro cd. Andei pensando sentada aqui na minha cadeira que poderia baixar uns vídeos com poemas e com o cordel, bem representado aqui no Gestar. Já até vi num blog dos colegas um video com o poema "Cidadezinha qualquer" na interpretação de Tom Zé. Acontece que não sei produzir ou postar vídeos e alguns poemas não foram produzidos. Por exemplo o "Vício de fala" do Oswald de Andrade, entre outros. Também consegui a Lenda do Cabeça de Cuia. Salvei na memória. Assim que conseguir juntar todos produzirei um dvd. Espero que isso não seja ilegal. O clip original de "Te ver" do Skank é lindo. Não sei postar. Juro que já tentei, mas não consegui. Deve ser um nível bem avançado do meu letramento tecnológico. Ainda estou na alfabetização. Enquanto isso não acontece aqui estão mais algumas músicas dos cadernos já trabalhados.

LUÍZ GONZAGA - LUAR DO SERTÃO

"Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Oh! que saudade do luar da minha terra
Lá na terra branquejando folhas secas pelo chão
Este luar cá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade do luar lá do sertão

Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão

Se a lua nasce por detrás da verde mata
Mais parece um sol de prata prateando a solidão
E a gente pega na viola que ponteia
E a canção é a Lua Cheia a nos nascer do coração

Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão

Mas como é lindo ver depois pro entre o mato
Deslizar calmo regato transparente como um véu
No leito azul das suas águas murmurando
E por sua vez roubando as estrelas lá do céu

Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão


PASSE EM CASA
Passam pássaros e aviões
E no chão os caminhões
Passa o tempo, as estações
Passam andorinhas e verões
Passe em casa (tô te esperando)
Passe em casa (tô te esperando)
Estou esperando visita
Tão impaciente, aflita
Se você não passa no morro
(eu quase morro, eu quase morro)
Estou implorando socorro
(eu quase morro, eu quase morro)
Vida sem graça se você não passa no morro
Já estou pedindo que
Passe um tempo, passe lá
Passe o mal pelos meus lençóis
Passe agora, passe enfim
Um momento pra ficarmos sós

Passe em casa (tô te esperando)
Passe em casa (tô te esperando)
Estou esperando visita
Tão impaciente, aflita
Se você não passa no morro
(eu quase morro, eu quase morro)
Estou implorando socorro
(eu quase morro, eu quase morro)
Vida sem graça se você não passa no morro
Já estou pedindo que
Passe um tempo, passe lá
Passe o mal pelos meus lençóis
Passe agora, passe enfim
Passe um momento pra ficarmos sós

Passe em casa (tô te esperando)
Passe em casa (tô te esperando)
Estou esperando visita
Tão impaciente, aflita
Se você não passa no morro
(eu quase morro, eu quase morro)
Estou implorando socorro
(eu quase morro, eu quase morro)
Vida sem graça se você não passa no morro
Já estou pedindo que


TE VER
Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

É como mergulhar num rio e não se molhar
É como não morrer de frio no gelo polar
É ter o estômago vazio e não almoçar
É ver o céu se abrir no estio e não se animar

Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

É como esperar o prato e não salivar
Sentir apertar o sapato e não descalçar
É ver alguém feliz de fato sem alguém pra amar
É como procurar no mato estrela do mar
Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

É como não sentir calor em Cuiabá
Ou como no Arpoador não ver o mar
É como não morrer de raiva com a política
Ignorar que a tarde vai vadia e mítica

É como ver televisão e não dormir
Ver um bichano pelo chão e não sorrir
É como não provar o néctar de um lindo amor
Depois que o coração detecta a mais fina flor

Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível


TEMPOS MODERNOS
Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isto por cima do muro de hipocrisia
Que insiste em nos rodear
Eu vejo a vida mais clara e farta
Repleta de toda satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão

Eu quero crer no amor numa boa
Que isto valha pra qualquer pessoa
Que realizar
A força que tem uma paixão

Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim do que não, não não

Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Que não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo o que há pra viver
Vamos nos permitir