Amigos Conquistados

terça-feira, 27 de julho de 2010

"Pauapixuna"


Uma cantiga de amor se mexeu
Uma tapuia no porto a cantar
Um pedacinho de lua nascendo
Uma cachaça de papo pro ar
Um não sei quê de saudade doente
Uma saudade sem tempo ou lugar
Uma saudade querendo, querendo
Querendo ir e querendo ficar

Férias só servem pra isso: dar uma tristeza sem fim no coração da gente. Estou eu aqui ouvindo essas músicas maravilhosas do Ruy e do Paulo André Barata na voz de sua melhor intérprete Fafá de Belém e do também inesquecível Walter Bandeira com uma vontade daquelas de voltar pra casa. O tempo que passo nas salas de aula da vida não deixa eu pensar nessa saudade que só falta me matar.

Quando estudava na UFPa tive a felicidade de conhecer o trabalho de Ruy Barata. E aprofundar o entendimento de minhas raízes culturais. Mal sabia que um dia iria derramar lágrimas e mais lágrimas com vontade de voltar pra casa, sem poder. E que Ruy iria me consolar. Foi Rogério, o Divino, quem me ensinou, entre outras coisas, a amar o Ruy.

E de repente comecei a pensar em ouvir novamente "Uma batida de remo a passar". Como nas noites enluaradas da minha vida ilhoa. Imagino a casa de meus tios abandonada lá naquele igarapé, tantos amigos deixados por lá. E tantos que não mais hei de encontrar. O que mais me impressiona é que não penso na minha própria casa na Belém Continental. Meu coração está a mercê das marés.

Maré de lance, meu tio dizia. Geralmente eu tinha medo das marés de lance porque elas estrondavam em meus ouvidos pouco acostumados a essas coisas de marés. Nessas ocasiões sempre pensava que o rio estava zangado. Talvez estivesse mesmo. Vai lá saber dessas coisas de rio. Mesmo assim gostava de ver o rio encher até não caber mais em si. E ultrapassar um limite que não era dele, mas apenas imaginado por nós.

Depois que passava a preamar vinha aquele mundo de água igarapé afora. Até o rio quase morrer transformado em um fio de água gelada. Siga os links acima e ouça/descubra (caso você não conheça ainda) o talento de Ruy Barata para fazer a gente pensar em coisas há muito esquecidas. Eu até sinto o arrepio provocado pela água gelada do rio na baixa-mar. Carlinho, com sua sabedoria e sensibilidade para as coisas da natureza, fala em preamar de enchente e preamar de vazante. Quisera eu poder esvaziar meu peito de toda essa tristeza que me invade. É maré de lance.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Vestibular UFMG: Será o fim do mundo?

Hoje foi a reunião anual dos professores do Ensino Médio com a Comissão Permanente do Vestibular (COPEVE MG). Fomos convidados para participar dessa reunião. Algo que, pelo que eu fiquei sabendo, acontece todos os anos.

Hoje é que ficamos sabendo oficialmente que a primeira etapa do Vestibular será feita através do ENEM. E, para o espanto geral dos professores de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, que apenas quatro cursos (Teatro, Dança, Letras e Comunicação) farão prova de Língua Portuguesa na segunda etapa do vestibular de tão renomada Universidade Federal.

Confesso que me retirei do auditório da Reitoria, antes da reunião acabar em sinal de protesto, juntamente com todos os professores que lá estiveram. Fiquei meio abestada com a situação. Saímos todos muito revoltados deixando lá a Comissão que elabora a prova de Língua Portuguesa. Os professores perguntaram a si mesmos e aos honoráveis membros da Comissão: Que Prova?" Ninguém soube responder.

O golpe mais duro foi a retirada da Prova de Literatura do Vestibular. Uma festa para quem já não gosta mesmo de ler. Conversando com os colegas na sala dos professores, parcialmente refeita do abestalhamento (há que ter tempo para assimilar uma notícia dessas) chegamos à conclusão de que há sim um objetivo muito perverso na organização desses movimentos: Deixar as pessoas cada vez mais alienadas. Fazer com que elas não entendam mesmo o que os políticos dizem. Pão e circo para o povo, que agora vai fazer a redação do ENEM, a prova de Literatura do ENEM, e tudo o mais do ENEM.

Claro que tentaram explicar. Tentaram até colocar uma historinha de lei, Ministério Público, Juiz... Não colou. Sinceramente: É o fim do mundo não cobrar Literatura no Vestibular. Segundo explicações, o Juiz Fulano de Tal exigiu que as chances deveriam ser as mesmas para quem leu o livro e para quem não leu: todos deveriam ser capazes de responder às questões da prova de Literatura lendo ou não os tais livros.

E, pasmem, essa decisão da retirada da prova de Literatura não foi atrelada ao ENEM. Antes de a Universidade aderir ao ENEM tal decisão já estava tomada. Em março.

Como se diz lá em Belém, é uma avacalhação. Talvez alguém deva achar que Literatura não importa. Talvez não seja mesmo importante. E eu e milhares de professores estejamos enganados. Talvez não deva ser este o perfil de um estudante da laureada Universidade Federal: o de um estudante leitor. Talvez...

Ler pra quê? Estudar pra quê?

Silvia.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Gente:
Tem umas dúvidas que ficam martelando aqui na minha cabeça e quero compartilhar com vocês:
  • É certo isso de um trabalhador fazer greve por aumento de salário e ter como proposta do empregador um aumento na carga-horária?
  • É normal constituir uma comissão paritária para decidir sobre um assunto e, antes do fim das negociações, um dos "parceiros" anunciar uma decisão que ele tomou? Sozinho?
  • É possível pedir aumento pra hoje e receber só no ano que vem?
  • Será que Governador pensa que somos crianças?
  • Essa atitudes são aceitas por nós e a proposta está se firmando entre nós como aceitável porque nossas atenções estão voltadas para a Copa do Mundo?

Todos à Assembleia da categoria dia 17/06/2010. Precisamos dar uma resposta à Sociedade, ao governo, a nós mesmos.

Um abraço da Sílvia.

sábado, 29 de maio de 2010

A sala de aula



Hoje, depois de tantos dias de greve na rede municipal, retomei minhas atividades. Em dezembro comprei um notebook porque queria melhorar meu desempenho na sala de aula e porque achei que iria precisar por causa do curso também. Antes, em outubro, já tinha arrumado uma confusão com a direção da escola porque solicitei um data-show. A direção da escola chegou a conclusão que eu estava fora da realidade. É claro que eu surtei, esqueci que a colega era minha superior hierárquica e mandei ver. Disse a ela que não era eu quem estava fora da realidade, que o equipamento era o mínimo que eu iria querer, já que eles tinham feito o favor de transformar o espaço do laboratório de informática em sala de aula. Foi muito desagradável mas não pude me controlar...

Finalmente em março o equipamento chegou. Veio sozinho, sem o notebook. Fiquei muito feliz e até recebi os parabéns da equipe por ter sonhado tanto. E perturbado tanto. No entanto o meu SO é linux e não reconheceu o data-show. Mas, falando sério, eu adoro linux. Nunca quis mudar para Rwindows. De repente o satux (chamava Francenildo) deixou de funcionar em algumas funções e levei na assistência técnica. O técnico formatou e instalou o ubuntu (agora é Benjamin Ubuntu, relativo ao filme O curioso caso de Benjamin Button http://www.adorocinema.com/filmes/curioso-caso-de-benjamin-button porque achamos o nome parecido, só isso) agora tudo funciona, inclusive o data-show.

Então eu queria muito usar o data-show em uma aula, para ver como os estudantes se comportariam mediante uma nova tecnologia. E também como eu me comportaria junto deles. Hoje finalmente consegui. Planejei uma aula de interpretação de texto, retomando um diálogo que comecei ano passado. A maioria dos estudantes já esteve comigo nas salas de aula, em anos anteriores. O texto retomado é o "Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais..." um texto composto de 386 palavras, todas iniciadas pela letra p. Lembramos das aulas passadas na companhia de Pedro Paulo, em seguida mostrei a eles o texto.

Para continuar, vimos um outro texto onde todas as palavras começam com a letra m. Eles acharam as palavras muito difíceis e disseram também que não entenderam nada. Então mostrei a eles o vídeo http://www.youtube.com/watch?v=qIGYZFDl174. Eles ficaram encantados. Ainda mais que partimos para o texto e, quando surgia alguma dúvida sobre uma determinada palavra eu retornava ao vídeo para que pudéssemos observar a expressão do Chico e tentar descobrir o significado da palavra antes mesmo de olhar no dicionário. Assim descobrimos que macrocéfalo é um homem que tem uma cabeça grande. É claro que ter chegado ao segundo parágrafo foi um verdadeiro milagre, porque conversamos muito, rimos muito e nos divertimos muito em todos os horários. Duas turmas de sétimo ano, uma de oitavo e duas de nono.

Falamos de prosa poética, movimentos migratórios (inclusive os do sétimo ano avisaram que estavam estudando "isso" em Geografia e me explicaram direitinho a diferença entre migração e imigração), trabalho e trabalhador, transporte, vida na zona rural, as loucuras que acontecem nesse majestoso manicômio...

Tal aula seria possível sem as tecnologias da informação? Talvez. Quadro, giz, papel e caneta têm feito milagres nas mãos dos professores, esses Dom Quixotes da Educação, lutando contra dragões-moinhos.

Quero registrar aqui que foi uma experiência relevante em minha vida de educadora. Primeiro porque empreendi um grande esforço para reunir condições para que esse evento acontecesse (ainda assim fiquei devendo o áudio, que ficou um pouco prejudicado. Paciência, um problema de cada vez para resolver). Também porque sei que é apenas o começo de um processo certamente irreversível. E, por último, porque sei que estou contribuindo para que meus alunos e meus colegas compreendam que estamos no olho do furacão e que as mudanças aconteceram, acontecem e acontecerão, mas, por isso mesmo, precisamos todos estar preparados para elas. Precisamos estar preparados para esta sociedade em rede.

Quanto ao mundo moderno ainda teremos muitas atividades para realizar. Aguardem porque ainda estamos no 2º parágrafo...

E como estamos em Minas:

Um abraço e um beijo
E um pedaço de queijo.

Silvia.

terça-feira, 18 de maio de 2010

É SÓ PARA DIZER O QUANTO EU AMO SER PROFESSORA


A Escola me foi um lugar muito feliz. Recentemente em uma palestra com o Professor José Pacheco, coordenador da Escola da Ponte, ouvi-o dizer que ingressou na profissão de Professor por vingança, com o firme propósito de nunca fazer aos alunos o que havia sido feito com ele. Desde o dia que ouvi isso fiquei a pensar na Escola e o que ela representou para mim. Também aluna muito pobre, de uma família de seis irmãos e muita dificuldade.

Fui muito feliz na Escola. Quando decidi ser Professora (nem sei quando foi. Meu filho diz que eu nasci assim), queria proporcionar aos meus alunos a felicidade que um dia tive. Não sou tão jurássica assim. Semana passada completei 37 anos. Mas respeitava muito a Escola e os Professores todos. Não havia um que eu não chamasse pelo título. Orgulhava-me de comparecer às aulas com o uniforme completo: saia de pregas azul marinho abaixo do joelho, sapato preto e meia branca e a blusa do uniforme. Tudo providenciado com muito sacrifício pelos meus pais. Não era lá muito organizada, como não sou até hoje (tem coisas que nem as melhores escolas resolvem), mas sempre fui muito inteligente. Como aqueles alunos mais danadinhos que a gente sempre tem na sala. Algumas vezes estava lá "patetando" e a professora fazia uma pergunta que eu respondia. Claro que isso me causava alguns problemas porque nunca fui bem aceita pelas menininhas organizadas e bonitinhas da escola. Mas consegui sobreviver.

A única mágoa que trago da escola é que quando estava na oitava série pensei em ser escritora. Olhei de um lado para o outro e não vi ninguém com quem pudesse dividir este sonho. Nunca houve um incentivo da parte da Escola. A professora de Português era muito dura e sempre manteve uma distância muito grande dos alunos. Ela falava em vozes verbais, objetos diretos e indiretos e tudo o mais. Eu, entre meus colegas, tinha um certo talento em ajustar a teoria da gramática à prática de meus textos.

Somente mais tarde, no curso de Crisma, tive meu talento reconhecido. O Padre Pedro, que Deus o tenha, lia os textos produzidos pelos jovens do curso na missa de domingo. Os meus estavam sempre no altar à espera. Antes da benção final o Padre os lia para todos os presentes. Mais de uma vez tive os meus textos selecionados. Eu ficava sempre muito emocionada. O conselho que Padre Pedro me dava sempre em nossas conversas no confessionário era de que àquele que mais tem mais lhe será dado. Ele também dizia para eu usar com sabedoria meu talento. Tem horas que eu acho que enterrei meus talentos.

Ao final de minha adolescência a vida me levou por caminhos inesperados. E mesmo oito anos depois de ter terminado o Ensino Médio (Magistério, claro) tive uma experiência muito feliz ao passar no vestibular da UFPa. Na universidade não fui tão feliz. Fui apenas uma sobrevivente. As minhas melhores lembranças da escola estão no Ensino Fundamental.

Quero que meus alunos sejam tão felizes na escola quanto eu fui. Aqui nas Gerais não tem sido muito fácil para mim. Talvez nem para eles. Já percebi que alguns alunos têm por objetivo odiar determinados professores. Tento não assumir a condição de vítima. Afinal sou uma grande vencedora das adversidades da vida. E tento fazer sempre das minhas aulas um momento único, que nunca mais se repetirá. Nem sempre é possível. Nossas diferenças culturais são grandes, mas não são intransponíveis. A paixão que me move é muito maior que todas as dificuldades.
Eu amo ser professora. E a Escola que me fez tão feliz chama-se Colégio Nossa Senhora da Anunciação.





quinta-feira, 22 de abril de 2010

Greve: necessidade da categoria, luta de poucos, omissão de alguns, vitória de todos.

A viagem começou cedo. Eu saí de casa às cinco e meia da manhã para chegar a Betim no horário combinado. Encontro com os amigos, festa, esperança no olhar e no coração. Partimos animados. Pelo caminho encontramos outros amigos, esperançosos como nós. Cada um com a sua história, com a sua dificuldade e com a sua dignidade.

A chegada a São João Del Rei e o encantamento. Enquanto pela BR 040 encontrávamos um ônibus com quarenta trabalhadores de determinada cidade, uma van ou outra, na chegada à cidade eles foram se somando. Não sei quantos. Só sei que eram tantos que eu não podia contar. Cada um trazendo mais um tanto de amigos. E todos com o coração batendo mais forte, como o meu. Uma festa. Moradores nos paravam na rua para perguntar de onde viemos: Juiz de Fora, Esmeraldas, BH, Betim, Arcos, Congonhas, uma infinidade de lugares, uma infinidade de pessoas.

Somos tantos. Tantos que acreditam em justiça, em um país que faça cumprir as leis, em um país que respeite os direitos dos trabalhadores da Educação. Todos eles. Não fui à São João Del Rei passear. É claro que percebi que a cidade é linda, limpa, organizada. Também vi a estátua de Tiradentes, vi a faixada de algumas igrejas, andei por algumas ruas que imaginei históricas. Meu grande interesse era a Assembleia. As informações acerca do movimento.

Quem não foi, perdeu. Quem ainda não aderiu à greve também está perdendo. Perdendo uma grande oportunidade de lutar contra a injustiça e contra a desvalorização da categoria.

A transferência da sede política e social da capital Belo Horizonte para São João Del Rei foi de uma grandeza simbólica nem sempre comum nesses dias de banalização de tudo o que há de ético e poético no país.

O resultado é que continuamos em greve por tempo indeterminado. A próxima assembleia da categoria será dia 29/04, em Belo Horizonte. O governo parece não se preocupar que os estudantes praticamente não tiveram aulas em abril. "Eu quero ver o governador viver com o salário de um educador".

segunda-feira, 15 de março de 2010

16 de Março: Paralisação Nacional. Em Belo Horizonte vamos inaugurar a Cidade Administrativa

Para os que trabalham em Belo Horizonte e região metropolitana a mobilização se dará na Cidade Administrativa Aeciolândia, a partir das 14 horas.

Já que ninguém foi convidado para a inauguração oficial da Tancredolândia, com direito a interpretação tão emocionada do Hino Nacional na voz da conterrânea Fafá de Belém e também pela oportunidade única de ouvir Canção da América, na voz de Milton Nascimento, agora vamos todos nós, trabalhadores da educação, tomar posse da tão bela e tão bem planejada cidade administrativa.

O cordel: Oficina livre.

Ainda no dia 12 de setembro, após o almoço, nos reunimos novamente para o estudo da literatura de cordel e suas aplicações em sala de aula. Assistimos a vários vídeos sobre a lenda do Cabeça de Cuia e sobre a Literatura de Cordel. Esta atividade era parte do trabalho que viria a seguir:

Utilizando pincéis, tintas, bandejas de isopor, cola, estilete e criatividade passamos para a segunda parte de nossa oficina. Com base na Lenda do Cabeça de Cuia, criamos a Lenda do Cabeça de Fogo e, para ilustrar a lenda, produzimos um carimbo, utilizando as bandejas de isopor e todo o material que fora providenciado.

Levei para as cursistas um carimbo que eu tinha construído a partir da Lenda do Rio Amazonas e elas gostaram muito. Eu já havia experimentado também, com os alunos dos 6ºs anos, um trabalho de carimbos a partir de trava-línguas, sugerido no AAA5. Levei para elas observarem e elas consideraram um trabalho muito interessante.

Texto coletivo:
A lenda do cabeça de fogo.

O povo não acredita
Em história de cachaceiro
de vaqueiro e pescador

E diz que toda mentira
tem um fundo de verdade
se dita por muita gente.
E uma história de verdade
contada como brincadeira
Por mais real que pareça
Nunca será verdadeira.

Existe história lendária
Que com tempo ganha fama

Há muitos anos atrás
Existiu em Minas Gerais
Um pinguço, um cachaceiro
Chiva era seu nome
Cresceu sem religião
Sem pai e sem irmão
Sua mãe muito velhinha
Sem mágoa no coração.

Chiva, o preguiçoso
Não aprendeu trabalhar
E, devido a bebedeira,
Danava a esbravejar.
Vivia ameaçando
Dava soco, dava gritos
Agredia a todo mundo
Os outros eram malditos.
Sua mãezinha chorava
Muito tristonha a velhinha.

Sem esperança na vida
Em sua pobre casinha
O sofrimento do filho
sem trabalho e sem vontade
de dar a volta por cima
Vendo o filho em desespero
A bebida o consumia
Sem ter sorte na vida
A mãe se compadecia.

Mais uma vez a cachaça
E Chiva chegou zangado
Não tinha arrumado trabalho
E irritado bebeu
muito mais do que podia
E xingava todo mundo.
Sua mãe, que culpa tinha?
Mas ela lhe disse: - Filhinho
Não pense mais em mazela
E tome um café com pão.

Nervoso, tinhoso, ficou
Foi lá no fogão à lenha
E pegou de uma panela
Sentou na cabeça dela.
A pancada muito forte
Levou a velhinha à morte.
E de tão desesperado
Chiva ficou azul.
Com a cabeça amassada
E muitos dentes quebrados
Só lhe restou mesmo um.

Em desespero sombrio
Nem pensou no que fazia
E enfiou sua cabeça
No meio da brasa que ardia
E o povo, muito assustado
batizou "Cabeça de Fogo"
o monstro azul do povoado.
E a sombra da maldição
acompanhou-o para sempre
a partir daquele dia.

Após a produção textual e também da imitação da xilogravura (carimbo na bandeja de isopor), passamos a uma conversa breve a respeito de algumas formas de utilizar o trabalho com a literatura de cordel em nossas turmas do Ensino Fundamental. Um comentário que me deixou muito satisfeita foi o seguinte: "Sempre achei que seria muito difícil realizar uma atividade como essa em sala de aula. Vejo agora o quanto me enganei".

Encerramos a atividade e marcamos o próximo encontro para o dia 26 de setembro. A ideia principal era encerrar os estudos do TP6 e iniciar os estudos do TP1.


Os vídeos utilizados estão nos endereços eletrônicos abaixo. Além deles, foi também utilizada uma apresentação em power point produzida pela Professora Simone, de Brumadinho que, generosamente, compartilhou de seu trabalho maravilhoso com todos os formadores do Gestar II, da região de Belo Horizonte.
http://www.youtube.com/watch?v=OTxEL9lptW4

http://www.youtube.com/watch?v=9c5wlJCfm1g

quarta-feira, 3 de março de 2010

BBB 10




É a vida. Fico até meio sem graça quando vejo todo mundo falar (mal) do BBB. Na verdade podem falar à vontade porque é um assunto que não me diz respeito. Não me interessa nem um pouco. Não toco nesse assunto durante minhas aulas, meus alunos nem conversam comigo sobre isso. Na verdade nem considero o BBB um assunto. É mais uma falta de assunto que qualquer outra coisa. A única coisa que me chateia é ver o Pedro Bial envolvido nisso.

Tem muita situação por aí que é igual ou pior ao que se vê na tv, na "casa". Uma dessas coisas é observar, nas escolas nas quais trabalhamos, ser nomeado um diretor por ele ser "da panela" do prefeito, mesmo que o tal diretor não tenha competência para isso ou que ele não tenha qualquer vínculo funcional com a escola. Coisas como problemas que enfrentamos todos os dias em nossas escolas como a discussão pífia de um piso salarial pífio de 40 horas semanais ou de até 40 horas horas semanais. Ou de um processo de avaliação de desempenho cheio de incoerências e intransparências. Coisas assim tão importantes que as pessoas não costumam questionar.

Programas como o BBB devem servir para alienar o povo que, no caso dos professores, em vez de discutir salário, melhores condições de trabalho, reivindicar direitos já adquiridos e exigir o cumprimento da lei (de todo aquele monte de leis sobre educação, pois a única lei que parece existir naquela LDB é a lei dos 200 dias letivos), fica muito preocupado em saber e em "votar" no próximo eliminado do programa. Pão e circo para o povo.

Não é preciso desespero. Todo mundo tem um controle remoto nas mãos. É só desligar a tv e procurar um livro pra ler. Meu amigo Ronald diz que a tv é um demônio. Eu não ligo. Não vivo sem tv. Mas também não assisto BBB. Ponto final.